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20/10/2021

A Relação Entre Fé e Obras

A Relação Entre Fé e Obras

Abra sua Bíblia.

Como Paulo revela-nos em suas epístolas, a salvação da alma humana jamais será conquistada através das obras realizadas pelo homem (cf. Romanos 3:20, 4:2, 11:16, Tito 3:5).

Entretanto, Tiago destaca em sua carta a importância da prática das obras realizadas em Deus. Como podemos, por exemplo, conciliar os textos abaixo? Um escrito por Paulo e outro por Tiago:

 

 

Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada". (Gálatas 2:16)

 

 

Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado  como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé". (Tiago 2:22-24)

Estariam os apóstolos em contradição? De maneira alguma!

As citações de Paulo são completas em si mesmas, mas, conforme Pedro escreve, pela incontinência dos indoutos e inconstantes, tornam-se “difíceis de entender” (2 Pedro 3:15-16). Tiago escreve para anular qualquer possível afirmação de que o ensino de Paulo seja deturpado, mostrando que a prática da fé deve levar a efeitos tangíveis e não pode ser apenas uma retórica.

Notemos que, escrevendo às igrejas da Galácia, Paulo posiciona-se contra a obrigatoriedade do cumprimento da Lei de Moisés para a justificação e consequente salvação da alma humana, conforme o que foi definido no concílio de Jerusalém (cf. Atos 15).

Já Tiago cita a experiência de Abraão quando este obedeceu a ordem recebida por Deus ainda antes de haver o pacto no Sinai (Lei de Moisés). Embora o termo grego seja o mesmo nos dois textos (ergon: obra, feito, trabalho, esforço), o momento (dispensação) a que Paulo faz referência é diferente do momento a que Tiago relata. As obras nunca foram, não são, e nunca serão capazes de nos garantir a salvação eterna, mas têm relevante importância na vida cristã, e, mais do que isso, seus efeitos penetram na eternidade.

Destacam-se três pontos importantíssimos para compreendermos a importância das obras:

I) “Não é aqui o vosso lugar de descanso” (Miqueias 2:10)

Há vários tipos de fermentação e, em todas elas, pelo menos duas coisas são necessárias para que o processo aconteça: o fermento e o tempo de descanso.

Biblicamente, Paulo usa o fermento para revelar de forma figurativa os efeitos do pecado:

 

 

Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar  toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como  estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Pelo que façamos festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade". (1 Coríntios 5:6-8)

 

Cristo também adverte os discípulos a respeito de um certo fermento:

 

 

Ajuntando-se, entretanto, muitos milhares de pessoas, de sorte que se  atropelavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discípulos: Acautelai-vos, primeiramente, do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia". (Lucas 12:1)

 

A prática da Palavra de Deus (obras) leva-nos a um nível de intimidade maior com o Senhor. Vivendo de acordo com a Palavra temos, através da experiência, certeza absoluta da infalibilidade das Escrituras (cf. João 7:17).

O trabalho na obra não nos dá “descanso”, impedindo que “levedemos”. Olhando para “o alvo pelo prêmio da soberana vocação”, não teremos tempo em demasia para gastar com as coisas momentâneas e falíveis dessa vida.

Aquele que se dedica ao progresso do Evangelho não tem tempo para se “embaraçar com as coisas dessa vida”. O pecado, então, torna-se mais distante de uma vida laboriosa no Senhor.

Nessa terra, temos uma vida curta que logo passará. Apenas o que foi feito em Cristo permanecerá.

II) “Para que vejam as vossas boas obras” (Mt 5:16)

Não somos salvos pelas obras, mas para as obras.

 

 

Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens, Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo; O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras". (Tito 2:11-14)

As obras não são válidas para garantir a salvação, mas uma alma salva em Cristo Jesus levantar-se-á revestida pelo poder do Espírito Santo para a prática de toda “boa obra”. O cidadão dos céus tem seu corpo, alma e espírito entregues em sujeição a Deus para que Ele opere o Seu querer através do instrumento humano.

 

 

De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade". (Filipenses 2:12-13)

 

III) “Cada um receberá de Deus o louvor” (1 Coríntios 4:15)

Haverá um momento em que todos os que morreram em Cristo, ou que foram arrebatados, comparecerão perante o Senhor para serem julgados por suas obras:

 

 

E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo". (1 Coríntios 3:12-15)

 

Notemos que não é um julgamento para condenação, não é um julgamento aplicado aos ímpios. Ele refere-se apenas àqueles cujos nomes estão arrolados no livro da vida do Cordeiro. Aqueles que não tiverem praticado obras à altura do que é esperado pelo Senhor sofrerão detrimento, mas serão salvos. Nesse texto, também destacam-se os níveis de recompensa para aqueles que obraram de acordo com a vontade de Deus.

Concluindo, as obras não nos podem ajudar a conquistar a salvação, mas, realizadas através da fé, trazem consigo pelo menos três efeitos essenciais na vida de qualquer um que está em Cristo: afasta-nos do pecado, mostra ao mundo o poder de Deus através de um povo que realiza Sua vontade e dá-nos a possibilidade de sermos coroados na volta do “Senhor da vinha”.

Que possamos ter na nossa vida pessoal e na obra do Senhor a constância e a abundância recomendadas por Paulo aos coríntios. Fomos chamados por Deus não apenas para aquisição da salvação, mas para sermos “participantes do Evangelho”,  labutando e aguardando o aparecimento da “bem-aventurada esperança”.

Que o Senhor nos ajude a correr a “carreira que nos foi proposta”.

Paz do Senhor a todos!

Pastor Evaldo Santos
Pastor da Casa de Oração Hefzibá - Igreja Pentecostal em Sorocaba


 

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